... CADA DIA : DE COITADINHO A SUPER-HERÓI
CAPITULO II
CAPITULO II
OBS: ESTA POSTAGEM REFERE-SE AO SEGUNDO CPÍTULO DO MEU LIVRO EDITADO EM 1992, E QUE SE ENCONTRA ESGOTADO, SÓ ENCONTRADO EM SEBOS. POR ESTE MOTIVO ESTOU REEDITANDO, E REESCREVENDO. PARA MELHOR ENTENDIMENTO LEIA AS POSTAGENS ANTERIORES
REAÇÕES
Toda deficiência alicia reações, primeiramente em sua grande maioria, negativas, porque a deficiência antes de tudo traz consigo grandes problemas para todo os envolvidos , desde o próprio individuo que sofre, a todos os que convivem ao seu redor (parentes, amigos e outros). Essas reações muito embora apresentem matizes diferentes, variando de pessoa para pessoa, de cultura para cultura, são mais ou menos padronizadas numa sequência, comum como veremos mais adiante.
O certo, entretanto, é que dependendo do contexto sócio, econômico e cultural em que o individuo se encontra a deficiência tem diferentes pesos. Durante nossa experiência na implantação de um projeto de REABILITAÇÃO SIMPLIFICADA , ocorrida na cidade de RIO CLARO-SP, sob nossa responsabilidade, tomamos contato com pessoas com déficit mental considerável, que seriam consideradas portadores de deficiência, entretanto, conviviam naturalmente como pessoas normais em seu meio. Trabalhavam e participavam ativamente do grupo social; enfim viviam o mais normal possível. Quanto muito, o grupo se referia a alguma de suas “esquisitices”.
A história e a antropologia nos contam que nas antigas civilizações e até os atuais dias, em sociedades tribais era e é comum a eliminação, pura e simples de seu elementos portadores de deficiência. Era e é o sacrifício de uma vítima, em função não só da coletividade, mas também do próprio indivíduo que iria sofrer muito mais em condições desumanas. Aliás, não se matam cavalos por questões humanitárias.
Em nossa sociedade ocidental-cristã,não é esta a prática, uma vez que a vida é um bem inalienável e pertence a DEUS. Confesso que fica difícil julgar qual o melhor procedimento, tendo em vista o tratamento quase desumano dispensado aos muitos portadores de deficiência que sobrevivem nos dias de hoje, sem contar que sobrevivência em condições de precariedade não condizem com a dignidade a que tem direito todo e qualquer ser vivo e que torna-se paradoxal com toda pregação humanista em defesa da vida a qualquer preço.
Esta nossa preocupação tem muito a ver com certas situações limites, onde o curso natural da vida levaria o individuo a óbito, e pela atual medicina o mesmo é mantido artificialmente vivo. Conhecemos um caso de jovem, acidentado, que está em coma profundo artificialmente mantido vivo há mais de oito anos. Será isto uma atitude humanista?
Outras situações limites exigiriam mais reflexões, pelo menos na forma do seu tratamento, que às vezes se torna um sofrimento desnecessário.
