...ADULTO
OBS: ESTE POST, É PARTE DO LIVRO “ADEFICIÊNCIA NOSSADE CADA DIA- DE COITADINHO A SUPER-HERÓI” DE MINHA AUTORIA PUBLICADA EM 1992 PELA EDITORA IGLU. PARA MELHOR ENTENDIMENTO LEIA OS POSTs MAIS ANTIGOS. DE BAIXO PARA CIMA.
O aparecimento de uma deficiência no adulto, acontece em grande parte por acidente de trabalho, não descartamos,todavia a grande onda de acidentes de trânsito, violência urbana e doenças incapacitantes.
Nestes casos podemos dizer que, pelas características sócio-econômicas do nosso país, o surgimento de uma deficiência no adulto trabalhador é quase uma sentença de invalidez. Quase uma sentença de morte social. Não é por acaso que nos países, da América Latina, nossos “hermanos”, de língua espanhola o portador de deficiência é chamado de minusvalido. Uma vez, que, sua reabilitação profissional, e, sua consequente reinserção no mercado de trabalho não passa de um ideal, a ser um dia alcançado. É bom lembrar, que este livro foi escrito em 1992, mas as mudanças ainda são mínimas apesar das leis de cotas promulgadas após esta data.
CINTIA: “O trabalhador com deficiência precisa mostrar competência acima da média para poder trabalhar”... De que forma os portadores de deficiência podem mostrar competência se nem o Estado que existe para administrar o bem comum dá espaço para o trabalhador com deficiência.”
MARIZA: “Já trabalhei em casa de família. Parei quando pedi para ser registrada e a patroa não quis atender o meu pedido porque eu era deficiente.”
JOSÉ CARLOS: “Se cada empresa reabsorvesse, por exemplo, o seu funcionário acidentado numa função compatível com a nova realidade, já estaria dando um grande passo para a solução do problema existente. O que acontece é muito injusto, o que fica às vezes 10/15 anos numa empresa e quando acontece alguma fatalidade é simplesmente afastado. Fica em casa desempregado.”
A verdade é que vivemos numa sociedade muito mal preparada para a vida como um todo e, despreparada para atividades profissionais condizente, com os dias atuais. Na maioria das vezes desempenhamos compulsoriamente atividades que não satisfazem nem do ponto de vista pessoal, nem do ponto de vista puramente econômico. Assim quando a “fatalidade”, acidente de trabalho na sua maioria é por imperícia ou falta de segurança adequada, acontece e deixa uma deficiência, que é uma sentença de invalidez, uma vez que o posto de trabalho vai estar sempre inadequado.
Acresce-se a este quadro o preconceito tão arraigado em nossa sociedade, que apesar de alguns avanços, prefere ver o portador de deficiência à distância de preferência segregado, em algumas instituições especializadas ou segregada em sua própria casa. (NR.:O SUCESSO DO TELETON, QUE NÃO HAVIA EM 1992, CUJA IDEIA NASCEU NA ARGENTINA, BEM ANTES DAQUI, MOSTRA O QUANTO O EMPRESÁRIO PREFERE CONTRIBUIR COM AS INSTITUIÇÕES DO QUE REALMENTE EMPREGAR O PORTADOR DE DEFICIÊNCIA)
A frustração pela perda da profissão é um dos maiores males que afeta o indivíduo, porque, além de perder a profissão perde a condição de se auto-determinar e de tornar-se auto-suficiente economicamente. A frustração e o desalento são proporcionais às limitações impostas ao desempenho profissional. É principalmente proporcional ao grau vocacional da escolha da profissão. Assim sofre mais o pianista que tem dois dedos amputados do que um cantor que tem sua duas pernas paralisadas, se bem que muitos artistas foram afastados da mídia pela sua deficiência caso, por exemplo, do Barreirito, que acabou perdendo o seu lugar no conhecido “TRIO PARADA DURA” . Como podemos ver o preconceito ainda é o maior empecilho ao desenvolvimento profissional de um portador de deficiência.
Passar a viver uma nova vida, e é realmente uma nova vida, é muito complicado para o trabalhador adulto com uma profissão definida, sem uma política verdadeira de reabilitação e sem uma política de reintegração social torna-se uma tarefa para super-heróis.
CARMEM: “Na, minha opinião o pior momento de vida, para ocorrência de um evento incapacitante é quando o individuo está no auge da produtividade. Quando ele já tem uma vida profissional muito ativa. A ocorrência nesta fase de vida de um mal físico ou outro qualquer faz com que ele perca ou diminua seu nível profissional. Parece que a mudança de vida por causa de uma deficiência cria um impacto muito grande , o que implica numa dificuldade muito maior de adaptação.”
Como ficou claro, pelos depoimentos, a deficiência quando ocorre na idade produtiva da pessoa traz conseqüências críticas que exigem um “começar de novo”, como diria o poeta, nada fácil para a pessoa adulta. Aqui então é mais que necessário não perder tempo, é preciso que logo no primeiro instante, ter muito bem definido seu quadro clinico e seus prognósticos a curto, médio e longo prazo, cujo qual, deve ser dada ciência a todos envolvidos, sem exceções. É preciso também detectar o mais breve possível qual será o seu potencial residual de trabalho. É enfim preciso que existam equipes interdisciplinares, competentes em todo os centros de reabilitações, com capacidade para traçar um plano de trabalho o mais rápido possível, e que estejam a mão de qualquer cidadão em condição de uma deficiência.
Torna-se fundamental relembrar que a deficiência é sempre um drama na vida de qualquer pessoa e, que quanto mais cedo ela tomar consciência do fato e de suas reais implicações por mais dolorosas que sejam, mais rapidamente teremos condições de recomeçar uma nova vida. A idéia de preservar o individuo de sofrimentos só serve para retardar todo o processo de reabilitação e reintegração social, e que, em muitos casos torna-se irremediavelmente perdido. Não é o caso do João Carlos, até por questões particulares, mas serve de exemplo quanto a demora para se dar a notícia e deixar cair a ficha sobre sua verdadeira condição:
JOAÕ CARLOS: “... Bem a descoberta da deficiência veio aos poucos. Eu sofri um acidente com 26 anos de idade e não foi de um dia para o outro que me senti deficiente não. Existiu uma primeira fase, no hospital, em que a deficiência não é problema. Você não tem nada a fazer a não ser ficar na cama imobilizado. Até aí, a deficiência não me incomodava. Estava cercado de amigos, carinhos, brincadeiras e namoradas. É tudo muito “bonito”até."
Houve o caso de uma amiga, que ficou paraplégica aos 20 anos, e, por falta de um trabalho, de apoio e orientação negava sua, condição de portadora de deficiência, andando em uma cadeira normal com rodinhas até aos seu quarenta anos. A sua real reabilitação só veio acontecer, passado vinte anos. Fato quase normal nos grotões, do nosso enorme país.
Outro depoimento esclarecedor é o do José Carlos, onde ele conta como perdeu tempo e dinheiro com operações infrutíferas
JOSÉ CARLOS: “... Os médicos iam protelando a situação, enrolando. Fiz vários exames, passei por inúmeros, especialistas até cair em mim mesmo. Mas aí, eu já tinha perdido um tempão, tinha perdido a visão realmente e, infelizmente, também tinha uma seqüela no olho esquerdo, praticamente fiquei só com 10% da visão total. E eu não tinha dado conta disso , pois usava o olho direito. Aí foi a segunda cacetada. Foi muito dramático, foi doido, não foi nada fácil mesmo.”
Fica claro então que, quanto mais o portador de deficiência se iludir e não tiver informações objetivas sobre as suas reais condições, maior é a dificuldade de se readaptar.
O mesmo acontece quando, no afã de tentar levantar a moral do cliente, profissionais falam dos milagres da tecnologia de reabilitação. Portanto fica a recomendação para que haja uma equipe inter disciplinar, que faça uma avaliação de boa acuidade e que, esclareça, todas as possibilidade reais do caso, em questão todos os envolvidos a partir da vítima, seus familiares e amigos mais próximo, afim, de poderem colaborar de forma efetiva com uma verdadeira reabilitação e reinserção no novo tipo de trabalho, para que o mesmo possa vir a ter uma nova vida produtiva e em harmonia consigo próprio.
OBS: ESTE POST, É PARTE DO LIVRO “ADEFICIÊNCIA NOSSADE CADA DIA- DE COITADINHO A SUPER-HERÓI” DE MINHA AUTORIA PUBLICADA EM 1992 PELA EDITORA IGLU. PARA MELHOR ENTENDIMENTO LEIA OS POSTs MAIS ANTIGOS. DE BAIXO PARA CIMA.
O aparecimento de uma deficiência no adulto, acontece em grande parte por acidente de trabalho, não descartamos,todavia a grande onda de acidentes de trânsito, violência urbana e doenças incapacitantes.
Nestes casos podemos dizer que, pelas características sócio-econômicas do nosso país, o surgimento de uma deficiência no adulto trabalhador é quase uma sentença de invalidez. Quase uma sentença de morte social. Não é por acaso que nos países, da América Latina, nossos “hermanos”, de língua espanhola o portador de deficiência é chamado de minusvalido. Uma vez, que, sua reabilitação profissional, e, sua consequente reinserção no mercado de trabalho não passa de um ideal, a ser um dia alcançado. É bom lembrar, que este livro foi escrito em 1992, mas as mudanças ainda são mínimas apesar das leis de cotas promulgadas após esta data.
CINTIA: “O trabalhador com deficiência precisa mostrar competência acima da média para poder trabalhar”... De que forma os portadores de deficiência podem mostrar competência se nem o Estado que existe para administrar o bem comum dá espaço para o trabalhador com deficiência.”
MARIZA: “Já trabalhei em casa de família. Parei quando pedi para ser registrada e a patroa não quis atender o meu pedido porque eu era deficiente.”
JOSÉ CARLOS: “Se cada empresa reabsorvesse, por exemplo, o seu funcionário acidentado numa função compatível com a nova realidade, já estaria dando um grande passo para a solução do problema existente. O que acontece é muito injusto, o que fica às vezes 10/15 anos numa empresa e quando acontece alguma fatalidade é simplesmente afastado. Fica em casa desempregado.”
A verdade é que vivemos numa sociedade muito mal preparada para a vida como um todo e, despreparada para atividades profissionais condizente, com os dias atuais. Na maioria das vezes desempenhamos compulsoriamente atividades que não satisfazem nem do ponto de vista pessoal, nem do ponto de vista puramente econômico. Assim quando a “fatalidade”, acidente de trabalho na sua maioria é por imperícia ou falta de segurança adequada, acontece e deixa uma deficiência, que é uma sentença de invalidez, uma vez que o posto de trabalho vai estar sempre inadequado.
Acresce-se a este quadro o preconceito tão arraigado em nossa sociedade, que apesar de alguns avanços, prefere ver o portador de deficiência à distância de preferência segregado, em algumas instituições especializadas ou segregada em sua própria casa. (NR.:O SUCESSO DO TELETON, QUE NÃO HAVIA EM 1992, CUJA IDEIA NASCEU NA ARGENTINA, BEM ANTES DAQUI, MOSTRA O QUANTO O EMPRESÁRIO PREFERE CONTRIBUIR COM AS INSTITUIÇÕES DO QUE REALMENTE EMPREGAR O PORTADOR DE DEFICIÊNCIA)
A frustração pela perda da profissão é um dos maiores males que afeta o indivíduo, porque, além de perder a profissão perde a condição de se auto-determinar e de tornar-se auto-suficiente economicamente. A frustração e o desalento são proporcionais às limitações impostas ao desempenho profissional. É principalmente proporcional ao grau vocacional da escolha da profissão. Assim sofre mais o pianista que tem dois dedos amputados do que um cantor que tem sua duas pernas paralisadas, se bem que muitos artistas foram afastados da mídia pela sua deficiência caso, por exemplo, do Barreirito, que acabou perdendo o seu lugar no conhecido “TRIO PARADA DURA” . Como podemos ver o preconceito ainda é o maior empecilho ao desenvolvimento profissional de um portador de deficiência.
Passar a viver uma nova vida, e é realmente uma nova vida, é muito complicado para o trabalhador adulto com uma profissão definida, sem uma política verdadeira de reabilitação e sem uma política de reintegração social torna-se uma tarefa para super-heróis.
CARMEM: “Na, minha opinião o pior momento de vida, para ocorrência de um evento incapacitante é quando o individuo está no auge da produtividade. Quando ele já tem uma vida profissional muito ativa. A ocorrência nesta fase de vida de um mal físico ou outro qualquer faz com que ele perca ou diminua seu nível profissional. Parece que a mudança de vida por causa de uma deficiência cria um impacto muito grande , o que implica numa dificuldade muito maior de adaptação.”
Como ficou claro, pelos depoimentos, a deficiência quando ocorre na idade produtiva da pessoa traz conseqüências críticas que exigem um “começar de novo”, como diria o poeta, nada fácil para a pessoa adulta. Aqui então é mais que necessário não perder tempo, é preciso que logo no primeiro instante, ter muito bem definido seu quadro clinico e seus prognósticos a curto, médio e longo prazo, cujo qual, deve ser dada ciência a todos envolvidos, sem exceções. É preciso também detectar o mais breve possível qual será o seu potencial residual de trabalho. É enfim preciso que existam equipes interdisciplinares, competentes em todo os centros de reabilitações, com capacidade para traçar um plano de trabalho o mais rápido possível, e que estejam a mão de qualquer cidadão em condição de uma deficiência.
Torna-se fundamental relembrar que a deficiência é sempre um drama na vida de qualquer pessoa e, que quanto mais cedo ela tomar consciência do fato e de suas reais implicações por mais dolorosas que sejam, mais rapidamente teremos condições de recomeçar uma nova vida. A idéia de preservar o individuo de sofrimentos só serve para retardar todo o processo de reabilitação e reintegração social, e que, em muitos casos torna-se irremediavelmente perdido. Não é o caso do João Carlos, até por questões particulares, mas serve de exemplo quanto a demora para se dar a notícia e deixar cair a ficha sobre sua verdadeira condição:
JOAÕ CARLOS: “... Bem a descoberta da deficiência veio aos poucos. Eu sofri um acidente com 26 anos de idade e não foi de um dia para o outro que me senti deficiente não. Existiu uma primeira fase, no hospital, em que a deficiência não é problema. Você não tem nada a fazer a não ser ficar na cama imobilizado. Até aí, a deficiência não me incomodava. Estava cercado de amigos, carinhos, brincadeiras e namoradas. É tudo muito “bonito”até."
Houve o caso de uma amiga, que ficou paraplégica aos 20 anos, e, por falta de um trabalho, de apoio e orientação negava sua, condição de portadora de deficiência, andando em uma cadeira normal com rodinhas até aos seu quarenta anos. A sua real reabilitação só veio acontecer, passado vinte anos. Fato quase normal nos grotões, do nosso enorme país.
Outro depoimento esclarecedor é o do José Carlos, onde ele conta como perdeu tempo e dinheiro com operações infrutíferas
JOSÉ CARLOS: “... Os médicos iam protelando a situação, enrolando. Fiz vários exames, passei por inúmeros, especialistas até cair em mim mesmo. Mas aí, eu já tinha perdido um tempão, tinha perdido a visão realmente e, infelizmente, também tinha uma seqüela no olho esquerdo, praticamente fiquei só com 10% da visão total. E eu não tinha dado conta disso , pois usava o olho direito. Aí foi a segunda cacetada. Foi muito dramático, foi doido, não foi nada fácil mesmo.”
Fica claro então que, quanto mais o portador de deficiência se iludir e não tiver informações objetivas sobre as suas reais condições, maior é a dificuldade de se readaptar.
O mesmo acontece quando, no afã de tentar levantar a moral do cliente, profissionais falam dos milagres da tecnologia de reabilitação. Portanto fica a recomendação para que haja uma equipe inter disciplinar, que faça uma avaliação de boa acuidade e que, esclareça, todas as possibilidade reais do caso, em questão todos os envolvidos a partir da vítima, seus familiares e amigos mais próximo, afim, de poderem colaborar de forma efetiva com uma verdadeira reabilitação e reinserção no novo tipo de trabalho, para que o mesmo possa vir a ter uma nova vida produtiva e em harmonia consigo próprio.

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