sexta-feira, 12 de março de 2010

A INSTALAÇÃO DE UMA DEFICÊNCIA NA...

....TERCEIRA IDADE

A terceira idade deveria se caracterizar, em nossa sociedade, por ser uma etapa de descanso merecido. Afinal a pessoa nessa fase já contribuiu com seu trabalho para o desenvolvimento social e, portanto, nada mais justo que gozar o de um merecido e verdadeiro ócio prazeroso e bem remunerado.
O exposto acima é um sonho e ideal a ser perseguido, pois como estamos num país emergente (nos velhos e bons tempos era um país subdesenvolvido e “continua”) eufemismo de país de terceiro mundo, com as contas muito mal administradas, a maioria das pessoas nessa faixa etária, que deveria estar devidamente aposentado, ainda tem de trabalhar para complementar a sua aposentadoria, já que esta não lhe garante um padrão de vida desejado e legítimo.
Quando ocorre a instalação de uma deficiência nesta fase da vida, suas conseqüências são de certa, forma minimizadas, pela acomodação , natural da idade, mas pelo exposto acima e também por outro fatores pessoais e familiares não significa em hipótese alguma ausência de sofrimento como veremos no depoimento:
MARILENE: “o paciente mais difícil é o idoso por causa dos seus hábitos arraigados e por outros problemas de ordem clínica. ...Normalmente nosso paciente, na faixa de 55/60 anos de idade, chega após uma amputação totalmente deprimido, achando que a vida acabou; tornou-se um inválido”
Geralmente uma deficiência nesta etapa da vida abrevia a própria vida, pois a tendência natural é a de aceitar o destino natural da perenidade da existência.
Em nosso entender a reabilitação, nestes casos, deverá acontecer mais lentamente e mais focado em um objetivo por vez, sem exigir maiores esforços da pessoa com o intuito de não gerar maiores expectativas nem maiores sofrimentos, pois, sabe-se que, dificilmente voltará a desempenhar alguma atividade produtiva. Necessário sim prepará-la para um aproveitamento melhor possível do seu tempo em benefício próprio. É totalmente desaconselhável a tentativa de se esconder a realidade dos fatos, pois como sabemos o idoso, pela própria vivência é um sábio e sentirá traído com uma história mal contada, o que lhe trará mais sofrimentos.
Toda a reabilitação poderá se resumir numa orientação com apoio pessoal e familiar, no sentido de que a vida ainda poderá ser prazerosa e trazer boas novidades, apesar dos limites impostos pela deficiência. A utilização de próteses e orteses devem ser criteriosa, pois as dificuldades são muitas e não raro estes equipamentos, muito úteis aos jovens, passam a ser um transtorno a mais para o idoso, e pode significar em termos de custo pessoal e social perda de tempo e de dinheiro.

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