As deficiências, de acordo com a parte atingida dividem-se tradicionalmente em quatro grandes grupos que são: FÍSICAS. SENSORIAIS, MENTAIS e ORGÂNICAS. Em alguns casos poderemos ter indivíduos com deficiências múltiplas, quando há na mesma pessoas uma combinação de sequelas.
Porém é muito importante notar, que uma sequela só se torna mesmo uma deficiência, isto é, quando ela realmente atrapalha o desempenho normal da pessoa ao entrar em um contexto social e um meio ambiente hostil ao comprometimento ocorrido. Assim, podemos dizer, que um individuo que sofra, por exemplo, a perda da VISÃO, o cego, não seria deficiente se ele habitasse, em uma caverna com total ausência de luz.
Vejamos então como se define e se comporta cada uma delas:
FÍSICA: é por definição uma deficiência localizada no corpo da pessoa. Assim estão classificadas as vítimas de poliomielite (paralisia infantil ), vítimas de lesões medulares, os amputados e outros. Geralmente é bem visível e necessita de aparelhos auxiliares, como próteses, cadeiras de rodas etc. para minorar o problema;
SENSORIAL: são as que se localizam nos órgãos dos sentidos como, as deficiências visual e auditivas;
MENTAL: existe neste aspecto todo um grupo de pessoas com déficit mental, onde os mais conhecidos, até por causa da sua aparência peculiar são os portadores da SINDROME DE DOWN, que durante muito tempo foi conhecido como MONGOLISMO. Não poderíamos deixar de incluir, no nosso caso como país emergente, portanto pobre, aqueles que são vítimas da desnutrição aguda e crônica, da completa falta de estimulação, e que após se tornarem adultos jamais se alfabetizarão, apesar da grande força de vontade pessoal. Importante observar que outras doenças também podem vir a deixar como, seqüela déficit mentais;
ORGÂNICA: esta categoria é ao nosso ver a mais esquecida , a menos assumida, a mais difícil de se definir e de se classificar. Lógico que colocaríamos como orgânicas todas aquelas que atingem órgãos vitais, geralmente é a função do órgão que fica comprometida. Aí temos: os diabéticos, com a função do pâncreas comprometida; os cardíacos e outros.
Mas uma questão fica no ar como classificar os portadores de AIDS OU OS HEMOFÍLICOS. Esta porém já é uma questão mais técnica e não pertinente ao nosso terma em questão, uma vez que o mais importante é entender como as chamadas deficiências interferem no dia-dia da pessoa.
Alguns depoimentos podem deixar mais claro o problema do portador de deficiência (necessidades especiais?!) em contato com o meio ambiente incapacitante, com bem definiu CAROLYN WASH, e de como alguns casos ainda não definidos como tal colocam a pessoa em situação de deficiência:
JOÃO CARLOS: “Quando voltei para casa e vi que não podia mais subir escada, lavar meu carro no quintal, como fazia regularmente, e que não podia na realidade sair do meu quarto é que veio a consciência do problema... Mas paradoxalmente a deficiência “acaba” da mesma forma, ou seja, quando você começa sentir o que pode fazer agraves dela. Então acho que a consciência está aí, em como absorve-la, convivendo com ela e ao mesmo tempo como sair dela. Na mesma consciência”
Este depoimento de João Carlos, mostra, duas coisa importantes: uma de como é dramático tomar consciência da deficiência, e ao mesmo tempo, se bem tratada, por uma boa estrutura de reabilitação; pode vir acompanhada da descoberta de que se pode fazer muita coisa apesar da deficiência. Isto nos dá uma pista do caminho a ser seguido, isto é, o de que quanto mais rápido, for a tomada de consciência, da deficiência, e suas conseqüências mais rápido será o caminho para uma vida melhor apesar dela.
