sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A DEFICIÊNCIA FISICA,SENSORIAL...


... MENTAL , ORGANICA E ... SOCIAL

As deficiências, de acordo com a parte atingida dividem-se tradicionalmente em quatro grandes grupos que são:
FÍSICAS. SENSORIAIS, MENTAIS e ORGÂNICAS. Em alguns casos poderemos ter indivíduos com deficiências múltiplas, quando há na mesma pessoas uma combinação de sequelas.
Porém é muito importante notar, que uma sequela só se torna mesmo uma deficiência, isto é, quando ela realmente atrapalha o desempenho normal da pessoa ao entrar em um contexto social e um meio ambiente hostil ao comprometimento ocorrido. Assim, podemos dizer, que um individuo que sofra, por exemplo, a perda da VISÃO,
o cego, não seria deficiente se ele habitasse, em uma caverna com total ausência de luz.
Vejamos então como se define e se comporta cada uma delas:
FÍSICA: é por definição uma deficiência localizada no corpo da pessoa. Assim estão classificadas as vítimas de poliomielite (paralisia infantil ), vítimas de lesões medulares, os amputados e outros. Geralmente é bem visível e necessita de aparelhos auxiliares, como próteses, cadeiras de rodas etc. para minorar o problema;
SENSORIAL: são as que se localizam nos órgãos dos sentidos como, as deficiências visual e auditivas;
MENTAL: existe neste aspecto todo um grupo de pessoas com déficit mental, onde os mais conhecidos, até por causa da sua aparência peculiar são os portadores da SINDROME DE DOWN, que durante muito tempo foi conhecido como MONGOLISMO. Não poderíamos deixar de incluir, no nosso caso como país emergente, portanto pobre, aqueles que são vítimas da desnutrição aguda e crônica, da completa falta de estimulação, e que após se tornarem adultos jamais se alfabetizarão, apesar da grande força de vontade pessoal. Importante observar que outras doenças também podem vir a deixar como, seqüela déficit mentais;
ORGÂNICA: esta categoria é ao nosso ver a mais esquecida , a menos assumida, a mais difícil de se definir e de se classificar. Lógico que colocaríamos como orgânicas todas aquelas que atingem órgãos vitais, geralmente é a função do órgão que fica comprometida. Aí temos: os diabéticos, com a função do pâncreas comprometida; os cardíacos e outros.
Mas uma questão fica no ar como classificar os portadores de AIDS OU OS HEMOFÍLICOS. Esta porém já é uma questão mais técnica e não pertinente ao nosso terma em questão, uma vez que o mais importante é entender como as chamadas deficiências interferem no dia-dia da pessoa.
Alguns depoimentos podem deixar mais claro o problema do portador de deficiência (necessidades especiais?!) em contato com o meio ambiente incapacitante, com bem definiu
CAROLYN WASH, e de como alguns casos ainda não definidos como tal colocam a pessoa em situação de deficiência:
JOÃO CARLOS: “Quando voltei para casa e vi que não podia mais subir escada, lavar meu carro no quintal, como fazia regularmente, e que não podia na realidade sair do meu quarto é que veio a consciência do problema... Mas paradoxalmente a deficiência “acaba” da mesma forma, ou seja, quando você começa sentir o que pode fazer agraves dela. Então acho que a consciência está aí, em como absorve-la, convivendo com ela e ao mesmo tempo como sair dela. Na mesma consciência”
Este depoimento de João Carlos, mostra, duas coisa importantes: uma de como é dramático tomar consciência da deficiência, e ao mesmo tempo, se bem tratada, por uma boa estrutura de reabilitação; pode vir acompanhada da descoberta de que se pode fazer muita coisa apesar da deficiência. Isto nos dá uma pista do caminho a ser seguido, isto é, o de
que quanto mais rápido, for a tomada de consciência, da deficiência, e suas conseqüências mais rápido será o caminho para uma vida melhor apesar dela.

















































sábado, 23 de janeiro de 2010

A DEFICIÊNCIA ...

...É REALMENTE UM MAL, MAS...

Precisamos encarar a deficiência como de fato ela é UM MAL, no entanto , se devidamente tratada poderá ter seus efeitos negativos minimizados, e, aquele que por ventura vier ser um portador de uma deficiência possa se integrar ou reintegrar, numa sociedade dita evoluída, tornando-se , dentro das suas limitações, um ser produtivo e conscientemente feliz, vejamos alguns depoimentos:
MARILENE: “normalmente o paciente chega a nós após uma amputação totalmente deprimido, achando que a vida acabou. Para ele a vida terminou. Tornou-se um inválido, vai ficar na cadeira de rodas; ninguém vai ligar para ele . Mas apesar de tudo, quando você consegue fazer uma boa reabilitação, vendo-o sair de alta com outro astral, se cuidando melhor; é extremamente gratificante como ocorreu hoje quando vi um paciente nosso de alta que veio para a primeira revisão da prótese.”
JOÃO BATISTA: “A deficiência é de fato um problema em si mesmo e gerador de problemas maiores quando não tratada devidamente. Não adianta mistificar. Negar isso soa falso”
A situação do hoje chamado de PORTADOR DE NECESSIDADES ESPECIAIS, uma designação sem sentido, posto que não define a condição física, sensorial ou mental da pessoa, é ainda de fato dramática, principalmente nos países emergentes (outro eufemismo) ou pobres como o nosso, uma vez que o acesso a tecnologia é limitado; e o chamado processo de re-habilitação não leva em conta as diferentes personalidade envolvidas, pois, a maioria dos referidos serviços existentes, ainda não é praticado por uma equipe interdisciplinar. Aquilo então que poderia ser “apenas” uma deficiência transforma-se numa total incapacidade deixando o individuo a mercê da caridade alheia ou da “caridade” oficial.
A verdadeira reabilitação deveria acontecer, através de uma equipe interdisciplinar, iniciando-se tão logo acontecesse a constatação de uma deficiência, com o paciente ainda no leito hospitalar, e com foco não só no individuo bem como na sua família, pois que todos os envolvidos no caso devem ser reabilitados ou habilitados para uma nova maneira, de viver integrada ao seu meio e estrutura familiar e social, sem ter que passar por longos períodos de sofrimento com uma nova situação, que poderia ser mais facilmente absorvida, se um atendimento de reabilitação global realmente existisse, como podemos ver no depoimento abaixo:
CARMEM: “A deficiência, quando bem tratada, deixa de ser uma “deficiência” e, como exemplo disso temos um caso de um americano, meu conhecido, que adquiriu uma paraplegia e, graças a um trabalho de reabilitação bem feito, conseguiu seguir exemplarmente sua vida, tendo uma vida econômica, familiar e afetiva bem estruturada. Ele é apenas uma pessoa que tem uma condição física diferente, que a impede de andar, mas eu jamais a consideraria uma pessoa com deficiência, no conceito social mais amplo. Diria que ela é diferente, aliás que diferente somos todos, que usa para se locomover uma cadeira de rodas, mas ela nunca poderá ser considerada uma pessoa com deficiência, tão integrada e levando uma vida absolutamente normal”
Como vêem, a minha hipótese inicial se confirma, uma diferença, não será uma deficiência se bem tratada desde o inicio. É por isto que eu posso afirmar: uma deficiência só se torna um problema grave, numa sociedade onde a saúde é um bem secundário e não faz parte com a devida atenção de uma política pública de saúde.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A DEFICIENCIA É UM...(querendo ou não)

...UM DRAMA DA FAMÍLIA E DO INDIVÍDUO

Posso afirmar sem nenhum constrangimento, e, sem o falso otimismo, muito comum entre a equipe técnica, que geralmente não fala claramente sobre o caso, que uma DEFICIÊNCIA, quando se apresenta é um drama para o individuo e para sua família, pois por menor que seja, ela com certeza irá acarretar desconfortos e IMPEDIRÁ a execução de algumas atividades corriqueiras ao cidadão comum.
É claro que não descartamos a capacidade que o homem tem de se adaptar, as mais adversas situações e que os avanços tecnológicos da medicina e de aparelhos auxiliares podem, em muito, reduzir os problemas decorrentes de uma deficiência, é preciso notar, entretanto, que estes avanços técnicos e tecnológicos estão ao alcance de poucos, pela situação financeira, do nosso país.
Vejamos então o que dizem alguns envolvidos:
WASHIGTON: “Foi muito ruim . Quando eu via as crianças correndo, eu queria correr e, não conseguia;sentia uma coisa muito ruim. Nem empinar pipa eu podia. Muitas eu queria fazer e não conseguia. Então dava uma agonia dentro da gente.”
ÉLIDA: “Se eu tivesse uma deficiência acho que desesperaria, porque sei da “inexistência” de recursos. As entidades que existem são poucas e não conseguem atender a demanda. E o atendimento quando existe não é dos melhores .“
CÍNTIA: “Não foi fácil me descobrir com deficiência. Levei TRES ANOS para ter consciência do problema que havia tido e suas conseqüências. ...Não foi de repente não, que tomei consciência de todas as coisas; de que era tornar-se uma portadora de deficiência em NOSSO PAÍS. É uma coisa muito sofrida.”
JOSÉ CARLOS: “Não foi fácil sentir-se deficientes, principalmente nos primeiros dias, por causa da equipe médica. Eles ficaram até indecisos diante da situação. Não souberam fechar o diagnóstico. Sempre se tem aquela ilusão.
CÉLIA LEÃO: ”Eu sofri um acidente, aos 19 anos de idade que me deixou: paraplégica; isto há 17 anos, tempo bastante para esquecer. No entanto, lembro que foi muito sofrido, tudo foi muito difícil. Passei alguns meses, alguns anos, pelo menos, bastante sofrida desanimada, perguntando: PORQUE EU?No começo, não foi fácil não. Foi muito difícil, Sim”
Você, ainda, acha que tudo se passa como numa Novela?

OBS: ESTE LIVRO FOI PUBLICADO 1992 E ESTÁ SENDO REVISADO AGORA NESTE BLOG

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

DEFINIR E ....

... ENTENDER UM PORTADOR DE UMA DEFICIÊNCIA
A grande maioria da população, bem como muitos que até trabalham com deficiências, de modo geral não sabem muito bem definir uma deficiência, muito menos as consequências, ou melhor, dizendo, a sequência de reações pessoais e familiares causada por uma seqüela, que impede o, individuo, de fazer coisas comuns a todas as pessoas ditas normais, no seu habitat natural. Foi por isso que em 1980, a Organização Mundial de Saúde, OMS, elaborou a CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE IMPEDIMENTOS, DEFICIÊNCIAS E INCAPACIDADES, classificação esta que possivelmente nunca foi bem entendida e aqui para nós no momento, não será motivo de maiores explicações.
Para mim o que de fato importa é que até hoje, passado exato 29 anos do ANO INTERNACIONAL DO PORTADOR DE DEFICIÊNCIA,AIPD, decretado pela Organização das Nações Unidas, ONU, a postura básica da sociedade muito pouco, mas muito pouco mudou, ousaria dizer que em alguns casos até piorou. Para valer mesmo, só o símbolo internacional do portador de deficiência, aquele que é muito pouco respeitado nas vagas de estacionamento é que ficou bastante conhecido.
Para confirmar esta tese, temos a manutenção do estigma das palavras que sintomaticamente são mudadas, o que mostra o quanto elas em pouco tempo se tornam estigmatizantes, veja que de, DEFICIENTE , passando por PORTADOR DE DEFICIÊNCIA até chegar nos dias de hoje PORTADOR DE NECESSIDADES ESPECIAIS não se passaram mais do que vinte anos. Muito pouco tempo não acha? Pelo andar da carruagem chegaremos a esgotar o dicionário e não fugiremos do estigma. Tudo isto porque uma deficiência é de fato causadora de preconceitos e exclusões, numa sociedade que não admite os “muitos” diferentes, e que também não admite ser preconceituosa.
Aliás, estamos vendo isto na novela “Viver a vida”, ( não é marketing, não) onde a personagem Luciana, não pode ser ela mesma, com sua tristeza, sua depressão, seus medos, muito saudável pelo momento que está passando e ainda aceita como cuidados os preconceitos da mãe tidos como" zelo maternal". Só espero que o personagem no final da novela não venha ser salva por um método ainda não reconhecido de REGENERAÇÃO POR CELULAS TRONCOS.
Será que o preconceito um dia vai acabar e que poderemos trata-lo (aleijado, deficiente, portador de deficiência ou qualquer coisa similar) como o que realmente ele é, vitima de um acidente ou outro evento qualquer limitante, e que precisa de uma certa ajuda para se tornar um ser realmente útil dentro de suas limitações?

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

A DEFICIÊNCIA NOSSA DECADA DIA ...

... DE COITADINHO A SUPER-HERÓI: EXCLUSÃO

OBS: PARA MELHOR ENTENDER ESTA POSTAGEM LEIA A ANTERIOR QUE ESTÁ ABAIXO. OBRIGADO

Como disse na postagem anterior a tese, que não foi cientificamente provada, mas que pode ser constatada por qualquer pessoa que se interesse pelo assunto aliás, a televisão vem mostrando, de uma forma ligeiramente equivocada na novela “Viver a vida” (não é marketing, não) o PORTADOR DE DEFICIÊNCIA (no meu tempo hoje PORTADOR DE NECESSIDADES ESPECIAIS), perde a sua condição de poder ser uma pessoa normal, com suas infelicidades, depressões, seus prazeres, alegrias e coisa e tal.

Pela minha tese (desculpe o termo) o aleijado, o resto é eufemismo que só serve para obscurecer o preconceito que existe de fato, só pode ser ou COITADINHO OU O SUPER-HERÓI. Ou ele fica num canto, escondido na maioria das vezes pela família, chorando a sua dor ou ele começa primeiro a dar declarações do tipo “a deficiência me fez ver a vida de uma forma melhor” ou começa a matar um leão por dia, primeiro se livrando dos cuidados familiares excessivos e posteriormente se dedicando a fazer feitos espantosos, como pular de asa delta,se matando de trabalhar de dia e noite, tentando ser melhor que qualquer trabalhador normal e vai por aí a fora tentando mostrar que apesar da sua limitação ele pode ser melhor que os demais mortais. Nesta escalada de “feitos” ele talvez, conseguirá os seu minutos de glória. E por falar nisso, por onde anda a professora que num certo fim de ano perdeu as duas pernas, quando foi atropelada no mar, por um irresponsável, que deve estar impune, e que apareceu em toda mídia nacional como uma grande heroína?

Na realidade a sociedade como um todo, sempre procurou e procura esconder o seu preconceito, com eufemismo do tipo mudar o nome ao se referir as pessoas que fogem ao padrão considerado normal. Assim o negro já foi por muito tempo chamado de colored, moreninho etc. O cego de ceguinho e vai por aí afora. Hoje o outrora chamado de deficiente (de qualquer tipo) virou PORTADOR DE NECESSIDADES ESPECIAIS até quando não se sabe, mas que virou, virou. E assim, procedendo, esconde o pior a EXCLUSÃO, esta sim, é cruel, pois, impede que o diferente exerça com dignidade a sua diferença. Veremos que a tal famosa PARAOLIMPIADAS seria uma bela forma de inclusão pelo esporte, já traz em si mesmo o princípio da exclusão.

Você não acha que o eportista, diferente ou não, é um ESPORTISTA?

domingo, 10 de janeiro de 2010

A DEFICIÊNCIA NOSSA DECADA DIA ...

... DE COITADINHO A SUPER-HERÓI.
Este é o nome do meu livro, na realidade, esta seria uma tese a ser defendida, em pós graduação, só não aconteceu por falta de um "paitrocinio", faltou grana, bufunfa, grampo e outras designações para dizer falta de verba. Portador de deficiência, e tendo que sustentar família neste país, onde temos que matar um leão por dia não é fácil não, então virou um livro que foi escrito numa LETERA PORTATIL 82, numa média de tres laudas por dia, como não tinha corretor automático, ia colocando xxxxxxxx, onde errava e segue o bonde. Coitado do revisor. Em fim as duras penas o livro saiu, e o caminho para edição final foi outro drama mas depois eu conto.
A verdade é que eu queria dizer, que só existiam dois papeis para o portador de deficiência no BRASIL, ou ele se colocava no papel de COITADINHO ou ele encarnava o papel de SUPER-HERÓI. Com isto eu levantava a tese de que o portador de deficiência perderia a condição de SER HUMANO COMUM, aquele que é chamado pela mídia de passante, de pessoas, e coisa e tal. Para ser uma tese, a ser defendida e tirar dez com louvor, teria que se fazer uma pesquiza (bibliográfica, de campo, etc e tal), acabou virando apenas um livro com 133 paginas publicada pela Editora Iglu, do professor JULIO a quem agradeço.
O mais interessante de tudo isto é que até hoje, "tudo continua como antes no mar de abrantes" e apesar de todos os discursos oficiais e oficiosos temos que mostrar o tempo todo que, somos melhores que os considerados "normais" se quisermos viver com dignidade.ISTO CONTINUA AGUARDEM!!!!!!