... DEFICIÊNCIA INVSÍVEL (CONTINUANDO
OBS: PARA ENTEDER MELHOR ESTA POSTAGEM QUE É UMA CONTINUAÇÃO, LEIA A ANTERIOR , ABAIXO DESTA.
JOSÉ CARLOS: “Uma situação que tem me causado embaraços e até perda de amigos importantes. É que quando estou na rua, e principalmente em festas, por eu ter, visão sub-normal, e não enxergar quase nada, deixo de cumprimentar meus amigos. Muitos chegam até a perguntar: “ o Zé Carlos não é mais meu amigo? O que deu nele?” Poucos sabem que, apesar da minha aparência de normalidade pouco enxergo”
Temos então duas histórias, dois exemplos diferentes, com intensidades dramáticas semelhantes.
Um exemplo de situação de extrema visibilidade é a do cadeirante, aquele que se utiliza de uma cadeira de rodas para se locomover, cuja reação causada varia da extrema condescendência ao extremo da irritação. De modo geral, a sociedade vê e compreende melhor a situação de quem está numa cadeira de rodas. Entende porque ele na está trabalhando e, se por ventura , estiver desempenhando um ofício, mesmo que seja na propriedade da família, passará a ser visto como um herói, um exemplo de vida a ser seguido. Falam da sua força de vontade, da sua superação. Exageram ao extremo as suas qualidades (as vezes e até constrangedor), pois para ele, cadeirante que é e que conhece sua s virtudes bem como suas limitações a verdade não é bem o que pintam com cores tão róseas. Sabe o quanto esse oba-oba é falso.Tenho a convicção que ele gostaria de ser tratado como um ser humano com limitações, e que apesar delas, conseguiu (sem ou com ajuda) se adaptar a uma situação normalmente desfavorável, como podemos ver na charge publicada no MANUAL DE REDAÇÃO E ESTILO, publicado pelo CENTRO DE VIDA INDEPENDENTE DO RIO DE JANEIRO, que representava um paraplégico em sua cadeira de rodas com pessoas normais em sua volta elogiando a sua força de vontade e ele pensando “que saco” com uma fisionomia bem característica.
Veremos também o depoimento do José Carlos:
JOSÉ CARLOS: ”Na nossa, sociedade existe uma coisa interessante . ela julga a deficiência de acordo com a independência da pessoa. A pessoa na cadeira de rodas é considerada uma coitadinha, que não pode fazer nada. Se faz vira super-herói. Quanto mais visível a deficiência, maior é piedade. Não é isso que deve ser não. Para mim, qualquer pessoa normal que venha por exemplo, a perde um dedo indicador, sofre um trauma severo. Dependa da estrutura psicológica de cada um.Por que só uma perda muito grande deve ser considerada?"
A charge e o depoimento comprovam a nossa tese de que de fato o problema da visibilidade/gravidade se misturam e afeta de forma a criar situações , no mínimo constrangedoras e que dificultam a integração do portador de deficiência. Também a gravidade/visibilidade causam situações também desesperadoras com o podemos ver no depoimento abaixo:
WASHINGTON: “Tenho um amigo com quem saio bastante e é paraplégico. Uma vez, esperando um taxi demoramos um bom tempo até que parasse um táxi e nos dissesse: “se para levar seu amigo de cadeira e rodas não dá não”.
Ou ainda
CÉLIA LEÃO: “A minha deficiência, com sua visibilidade, mais atrapalha do que ajuda. Não consigo me lembrar de uma situação que pelo fato de estar numa cadeira de rodas, tenha facilitado a minha vida, a não ser se você fizer cara de coitadinho. Aí então a coisa muda: depende da sua safadeza para usar ou não. Não é?”
Entretanto, toda essa “compreensão” e louvação, e, ou “paradoxal” irritação sobre o portador de uma deficiência bem visível, não se estende às outras menos visíveis e nem por isso menos problemáticas ou dramáticas como bem colocou José Carlos:”Se na maioria das vezes um ocupante de uma cadeira de rodas é perdoado, por nada fazer o portador de uma deficiência menos aparente, e apesar disso não menos grave, as vezes, para não dizer quase sempre, é mais cobrado." Como conta Carolyn Wash de uma pessoa cardíaca, que quando convidado a ajudar a carregar um objeto pesado, se desculpou falando do seu problema, e que foi recebido com olhares desconfiados. Muito embora não seja partidário incondicional, de cada caso é um caso, pois sabemos dos padrões de comportamento e reações, temos que convir que não devemos tratar todos os casos (mesmos os aparentemente semelhantes) da mesma forma , pois para a condição humana as diferenças mesmo que imperceptíveis pode, ser fundamentais.
É, pois, a questão da visibilidade/gravidade. De extrema importância na vida da pessoa com deficiência. Temos notado em nossa vivência como amputado, bem como em nossa experiência em atendimento, a portadores de deficiência varias, que apesar das tentativas dos técnicos em reabilitação “tentarem disfarçar” uma deficiência, isto é tentarem fazer com que uma deficiência não apareça muito, são os portadores de deficiência mais aparente os que mais se adaptam, ou se adaptam mais facilmente ao seu problema e mais se aceitam numa nova vida, como diz o depoimento abaixo:
JOÃO CARLOS: “ A verdade é que quanto mais grave, portanto geralmente mais visível for a deficiência, mais o seu portador vai ter de lutar para se sentir recompensado. As deficiências maiores, na minha opinião, provocam uma motivação maior, para serem suportáveis, para o deficiente se reconstruir. Aquele que tem um pequeno defeito, que manca um pouco, que tem um dedo alterado, acho que se apega tanto ao defeito que esquece que trem de produzir porque se envolve com as dificuldades.”
É possível que João Carlos, não tenha se percebido, que uma deficiência pequena as vezes provoca muito mais aversão do que por exemplo um cadeirante, e é também uma verdade inquestionável que quase nada se cobra de um portador de uma grave deficiência, e que, qualquer performance por menor que seja já é comemorado, aliás sem fazer qualquer tipo de marketing a novela atualmente em exibição mostra muito bem isto. Só isto já se torna um elemento motivador e minimizador das ansiedades que muitas vezes paralisam o portador de uma deficiência menor, dificultando a sua reabilitação como vemos abaixo:
JOÃO CARLOS: “É possível também que devido excesso de cobranças sobre o deficiente menos severo gere um grau maior de ansiedade, que, ou é paralisante ou induz a erros, enquanto o deficiente mais grave talvez fique livre para optar com mais vagar pela vida. Eu vejo que existem pessoas que tem pequeno problema e que se frustram muito mais.”
Porém só isto não explica o fato da visibilidade/gravidade ser mais facilmente assimilado pelo seu portador, uma vez que suas limitações são maiores e extremamente frustrantes. Talvez o depoimento abaixo nos esclareça um pouco mais:
WASHIGTON: “Todos os dias as pessoas me vêem como herói, e isto é muito bom. A gente se sente lá em cima, porque todo os dias a gente vê alguém olhando para você e dizendo: é um deficiente e vai indo trabalhar. Que maravilha!”
Veja que aqui já aparece o complexo do super-herói um dos dois únicos papeis que um portador de deficiência, pode assumir, e que de repente para aquele de maior visibilidade se torna um elemento externo muito motivador, e melhor, sem nenhuma cobrança ou comparações. É por isso que se torna importante que o técnico e a família saiba, como melhor tratar esta questão da gravidade/ visibilidade da deficiência. Aí de fato cada caso é um caso.
OBS: PARA ENTEDER MELHOR ESTA POSTAGEM QUE É UMA CONTINUAÇÃO, LEIA A ANTERIOR , ABAIXO DESTA.
JOSÉ CARLOS: “Uma situação que tem me causado embaraços e até perda de amigos importantes. É que quando estou na rua, e principalmente em festas, por eu ter, visão sub-normal, e não enxergar quase nada, deixo de cumprimentar meus amigos. Muitos chegam até a perguntar: “ o Zé Carlos não é mais meu amigo? O que deu nele?” Poucos sabem que, apesar da minha aparência de normalidade pouco enxergo”
Temos então duas histórias, dois exemplos diferentes, com intensidades dramáticas semelhantes.
Um exemplo de situação de extrema visibilidade é a do cadeirante, aquele que se utiliza de uma cadeira de rodas para se locomover, cuja reação causada varia da extrema condescendência ao extremo da irritação. De modo geral, a sociedade vê e compreende melhor a situação de quem está numa cadeira de rodas. Entende porque ele na está trabalhando e, se por ventura , estiver desempenhando um ofício, mesmo que seja na propriedade da família, passará a ser visto como um herói, um exemplo de vida a ser seguido. Falam da sua força de vontade, da sua superação. Exageram ao extremo as suas qualidades (as vezes e até constrangedor), pois para ele, cadeirante que é e que conhece sua s virtudes bem como suas limitações a verdade não é bem o que pintam com cores tão róseas. Sabe o quanto esse oba-oba é falso.Tenho a convicção que ele gostaria de ser tratado como um ser humano com limitações, e que apesar delas, conseguiu (sem ou com ajuda) se adaptar a uma situação normalmente desfavorável, como podemos ver na charge publicada no MANUAL DE REDAÇÃO E ESTILO, publicado pelo CENTRO DE VIDA INDEPENDENTE DO RIO DE JANEIRO, que representava um paraplégico em sua cadeira de rodas com pessoas normais em sua volta elogiando a sua força de vontade e ele pensando “que saco” com uma fisionomia bem característica.
Veremos também o depoimento do José Carlos:
JOSÉ CARLOS: ”Na nossa, sociedade existe uma coisa interessante . ela julga a deficiência de acordo com a independência da pessoa. A pessoa na cadeira de rodas é considerada uma coitadinha, que não pode fazer nada. Se faz vira super-herói. Quanto mais visível a deficiência, maior é piedade. Não é isso que deve ser não. Para mim, qualquer pessoa normal que venha por exemplo, a perde um dedo indicador, sofre um trauma severo. Dependa da estrutura psicológica de cada um.Por que só uma perda muito grande deve ser considerada?"
A charge e o depoimento comprovam a nossa tese de que de fato o problema da visibilidade/gravidade se misturam e afeta de forma a criar situações , no mínimo constrangedoras e que dificultam a integração do portador de deficiência. Também a gravidade/visibilidade causam situações também desesperadoras com o podemos ver no depoimento abaixo:
WASHINGTON: “Tenho um amigo com quem saio bastante e é paraplégico. Uma vez, esperando um taxi demoramos um bom tempo até que parasse um táxi e nos dissesse: “se para levar seu amigo de cadeira e rodas não dá não”.
Ou ainda
CÉLIA LEÃO: “A minha deficiência, com sua visibilidade, mais atrapalha do que ajuda. Não consigo me lembrar de uma situação que pelo fato de estar numa cadeira de rodas, tenha facilitado a minha vida, a não ser se você fizer cara de coitadinho. Aí então a coisa muda: depende da sua safadeza para usar ou não. Não é?”
Entretanto, toda essa “compreensão” e louvação, e, ou “paradoxal” irritação sobre o portador de uma deficiência bem visível, não se estende às outras menos visíveis e nem por isso menos problemáticas ou dramáticas como bem colocou José Carlos:”Se na maioria das vezes um ocupante de uma cadeira de rodas é perdoado, por nada fazer o portador de uma deficiência menos aparente, e apesar disso não menos grave, as vezes, para não dizer quase sempre, é mais cobrado." Como conta Carolyn Wash de uma pessoa cardíaca, que quando convidado a ajudar a carregar um objeto pesado, se desculpou falando do seu problema, e que foi recebido com olhares desconfiados. Muito embora não seja partidário incondicional, de cada caso é um caso, pois sabemos dos padrões de comportamento e reações, temos que convir que não devemos tratar todos os casos (mesmos os aparentemente semelhantes) da mesma forma , pois para a condição humana as diferenças mesmo que imperceptíveis pode, ser fundamentais.
É, pois, a questão da visibilidade/gravidade. De extrema importância na vida da pessoa com deficiência. Temos notado em nossa vivência como amputado, bem como em nossa experiência em atendimento, a portadores de deficiência varias, que apesar das tentativas dos técnicos em reabilitação “tentarem disfarçar” uma deficiência, isto é tentarem fazer com que uma deficiência não apareça muito, são os portadores de deficiência mais aparente os que mais se adaptam, ou se adaptam mais facilmente ao seu problema e mais se aceitam numa nova vida, como diz o depoimento abaixo:
JOÃO CARLOS: “ A verdade é que quanto mais grave, portanto geralmente mais visível for a deficiência, mais o seu portador vai ter de lutar para se sentir recompensado. As deficiências maiores, na minha opinião, provocam uma motivação maior, para serem suportáveis, para o deficiente se reconstruir. Aquele que tem um pequeno defeito, que manca um pouco, que tem um dedo alterado, acho que se apega tanto ao defeito que esquece que trem de produzir porque se envolve com as dificuldades.”
É possível que João Carlos, não tenha se percebido, que uma deficiência pequena as vezes provoca muito mais aversão do que por exemplo um cadeirante, e é também uma verdade inquestionável que quase nada se cobra de um portador de uma grave deficiência, e que, qualquer performance por menor que seja já é comemorado, aliás sem fazer qualquer tipo de marketing a novela atualmente em exibição mostra muito bem isto. Só isto já se torna um elemento motivador e minimizador das ansiedades que muitas vezes paralisam o portador de uma deficiência menor, dificultando a sua reabilitação como vemos abaixo:
JOÃO CARLOS: “É possível também que devido excesso de cobranças sobre o deficiente menos severo gere um grau maior de ansiedade, que, ou é paralisante ou induz a erros, enquanto o deficiente mais grave talvez fique livre para optar com mais vagar pela vida. Eu vejo que existem pessoas que tem pequeno problema e que se frustram muito mais.”
Porém só isto não explica o fato da visibilidade/gravidade ser mais facilmente assimilado pelo seu portador, uma vez que suas limitações são maiores e extremamente frustrantes. Talvez o depoimento abaixo nos esclareça um pouco mais:
WASHIGTON: “Todos os dias as pessoas me vêem como herói, e isto é muito bom. A gente se sente lá em cima, porque todo os dias a gente vê alguém olhando para você e dizendo: é um deficiente e vai indo trabalhar. Que maravilha!”
Veja que aqui já aparece o complexo do super-herói um dos dois únicos papeis que um portador de deficiência, pode assumir, e que de repente para aquele de maior visibilidade se torna um elemento externo muito motivador, e melhor, sem nenhuma cobrança ou comparações. É por isso que se torna importante que o técnico e a família saiba, como melhor tratar esta questão da gravidade/ visibilidade da deficiência. Aí de fato cada caso é um caso.

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