... ADOLESCÊNCIA,ADULTA E TERCEIRA IDADE... A INSTALAÇÃO DA DEFICIÊNCIA E SUAS INFLUÊNCIAS
A fase em que uma instalação de uma deficiência ACONTECE, tirando o grau da mesma é talvez um dos fatores que mais influi no bom ou no mau prognóstico da vida, que seu portador poderá levar,podemos ver isto no depoimento abaixo:
CÍNTIA: “As diferenças na dificuldade de adaptação valem também para as diferentes etapas de vida que a deficiência se instala.”
Teceremos então, algumas considerações e as compararemos com depoimentos de pessoas, familiares e envolvidos com deficiências, para que se tenha com grande objetividade os cenários existentes até os dias atuais.
NASCIMENTO
Neste tópico abordaremos a deficiência durante as fases pré, durante e logo após o parto, que na linguagem técnica é: congênita, peri-natal e pós natal respectivamente;
Acredito que nestes casos o grau da deficiência se torna um fator menos importante, porque o seu portador irá se adaptando desde seu nascimento as dificuldades, bem como criando formas de sobrevivência de acordo com os seus limites. Entretanto, não tenho isso como uma verdade absoluta, pois como podemos ver no depoimento abaixo, uma vez que irá depender do meio onde a pessoa habita e principalmente porque ainda se constata uma quase total inexistência de programas de orientação a família e a criança com deficiência:
CÍNTIA :”...Por exemplo, quando a deficiência acontece, na 1ª infância, parece-me que é mais fácil a adaptação. O adulto ou melhor, a visão do adulto percebe e faz comparações entre o antes e o depois...Quem se revolta é o adulto que tornou-se portador de deficiência."
MARILENE “A deficiência quando acontece na infância é um problema menor, pois a criança tem uma maior facilidade de adaptação tanto em relação a doença quanto a situação de normalidade. Portanto, o resultado com crianças é sempre melhor.”
Pelos depoimentos acima, temos confirmada nossa hipótese da maior facilidade de adaptação e aceitação do portador de deficiência quando esta ocorre nos primeiros anos de vida. Entretanto , como veremos, esta não é uma posição definitiva, uma vez que os sentimentos subjetivos, a estrutura FAMILIAR e o processo de reabilitação interferem nas capacidades de aceitação e adaptação do individuo, a sua condição de vida, como veremos abaixo nos próximos depoimentos:
JOÃO CARLOS: “Comparar o que acontece em diferentes fases da vida é muito difícil. E nunca se chega a uma conclusão. O que é mais difícil suportar, não poder fazer mais o que já se fez, ou não poder fazer aquilo que você sonha quando vê alguém fazendo? Uma criança que já nasceu deficiente, nunca pode chutar uma bola, não pode correr e trepar em arvore. Eu por exemplo, com 26 anos de idade tinha crédito físico enorme com a vida. Já tinha feito de tudo, fisicamente tudo o que podia ter feito para parar naquela idade, porque faria e continuaria fazendo até hoje, ma sem crédito físico eu estava muito bem. Então foi para mim muito mais fácil ficar parado, a partir deste momento e voltar –me para o lado mais intelectual e mais sensorial”
SAMUEL: “Existe uma grande diferença entre aquele que nunca conseguiu andar normalmente e aquele que ficou paraplégico por acidente. No meu ponto de vista aquele que ficou deficiente desde o berço tem uma vontade de saber como seria bom correr, pular, etc. . Então para mim é muito mais difícil, muito mais agressivo até, ficar deficiente na infância. Isto porque no outro caso a pessoa teve uma vida normal. Não estou querendo minimizar, no caso do paraplégico por acidente. Ele tem uma chance de que quando começar a se descobrir com certeza irá dar um grande valor à vida, maior até que antes.”
A questão fica mais complicada ainda, quando se percebe que devido a falhas nos sistemas de reabilitação, de forma geral, pois o portador só toma conhecimento do seu verdadeiro estado muito tempo do caso instalado, como podemos ver abaixo:
IZAURA: “Eu fui uma criança deficiente, nasci com a deficiência, mas na realidade eu me descobri deficiente quando eu voltei a morar com os meus pais. Na AACD, apesar de só conviver com crianças deficientes, eu achava que era normal. Então voltei a morar com a família mais ou menos aos 14 anos de idade e foi aí que comecei a perceber a realidade diferente. E mais deficiente me senti quando aos 23/24 anos de idade fui obrigada a passar para uma cadeira de rodas. Foi então que comecei a ver as limitações do mundo. Eu me senti arrasada, foi como se tivesse ficado deficiente naquele momento.”
Analisando o depoimento da Isaura vemos a necessidade de uma MUDANÇA na forma de atuar do pessoal técnico que, trata de crianças com deficiência, pois ela se tivesse tomado, bem antes, a consciência de suas limitações com certeza não teria sofrido o que sofreu, na sua ADOLESCÊNCIA NEM NO INICIO DA FASE ADULTA.
O depoimento abaixo confirma ainda a necessidade desta mudança:
JOÃO BATISTA: “Julgo que tomei consciência da minha deficiência quando fiquei adolescente. Para, o portador de deficiência,é a adolescência,na minha opinião, o momento mais crucial. É o momento do namoro, de sair com os amigos, paquerar, de poder ter um pouco mais de liberdade. Foi então que percebi as minhas limitações . As meninas da nossa turma não quiseram saber de namorar comigo mas sim com meus amigos. Não queriam transar comigo. Isto tudo ficou muito significativo para mim.”
Estamos vendo então o quanto é importante, não a deficiência em si mesma, mas o momento da tomada de consciência, é como se diz “Quando a ficha caí”. Ora, até hoje eu não entendo e estamos em 2010, porque a equipe de reabilitação, que trabalha com portadores de deficiência ainda é uma equipe multidisciplinar (onde geralmente é médico que chefia) e não interdisciplinar (onde todos os participantes possuem pesos iguais em suas opiniões) e pior porque ainda fica-se “escondendo” da pessoa a sua real condição, estamos vendo isto na novela em exibição que tem a pretensão de representar a vida real. Porque tentar evitar o sofrimento no momento, em que ela se instala mesmo sabendo que ela poderá sofrer muito mais quando a ficha cair.
Dar a pessoa o verdadeiro diagnóstico, bem como o mais provável prognóstico, o mais rápido possível, além de ser um direito da pessoa ainda é melhor do ponto de vista da sua reabilitação e reintegração no seu meio.
Vejam o depoimento abaixo, pois confirma ainda mais a nossa tese muito embora tenha uma aparente contradição com o seu depoimento anterior:
JOÃO BATISTA: “Na minha, opinião, uma criança que já nasce com uma deficiência não tem a experiência de não ser deficiente. É uma experiência totalmente diferente de quem tem uma vida anterior, como no caso do Marcelo e do João Carlos, que sofreram acidentes na fase adulta. No momento mais pleno da vida e que acaba, com uma deficiência, é muito traumático. Eu não, os problemas que vivi eu os vivi desde a infância. Então eu posso afirmar que nunca senti nenhuma sensação traumatizante uma vez que nunca andei sem aparelho né? Posso dizer também que facilita a minha vida o fato de conhecer melhor o meu corpo que os outros. Para os que sofrem de uma deficiência mais tarde torna se mais difícil pois, este fato, o de precisar reaprender a viver em seu novo corpo.
É, uma nova vida mesmo e o João Carlos diz isso bem, em seu livro.” Bem como ajuda a família a se portar melhor no trato com o seu ente que sofreu uma perda. Tendo tomado a consciência, logo na instalação de uma deficiência, todos os envolvidos (o portador e sua família e amigos) irão formulando uma imagem real das limitações e as reais condições do seu desempenho o que é como vimos de extrema importância na sua reabilitação tanto física como psicológica. (continua)
A fase em que uma instalação de uma deficiência ACONTECE, tirando o grau da mesma é talvez um dos fatores que mais influi no bom ou no mau prognóstico da vida, que seu portador poderá levar,podemos ver isto no depoimento abaixo:
CÍNTIA: “As diferenças na dificuldade de adaptação valem também para as diferentes etapas de vida que a deficiência se instala.”
Teceremos então, algumas considerações e as compararemos com depoimentos de pessoas, familiares e envolvidos com deficiências, para que se tenha com grande objetividade os cenários existentes até os dias atuais.
NASCIMENTO
Neste tópico abordaremos a deficiência durante as fases pré, durante e logo após o parto, que na linguagem técnica é: congênita, peri-natal e pós natal respectivamente;
Acredito que nestes casos o grau da deficiência se torna um fator menos importante, porque o seu portador irá se adaptando desde seu nascimento as dificuldades, bem como criando formas de sobrevivência de acordo com os seus limites. Entretanto, não tenho isso como uma verdade absoluta, pois como podemos ver no depoimento abaixo, uma vez que irá depender do meio onde a pessoa habita e principalmente porque ainda se constata uma quase total inexistência de programas de orientação a família e a criança com deficiência:
CÍNTIA :”...Por exemplo, quando a deficiência acontece, na 1ª infância, parece-me que é mais fácil a adaptação. O adulto ou melhor, a visão do adulto percebe e faz comparações entre o antes e o depois...Quem se revolta é o adulto que tornou-se portador de deficiência."
MARILENE “A deficiência quando acontece na infância é um problema menor, pois a criança tem uma maior facilidade de adaptação tanto em relação a doença quanto a situação de normalidade. Portanto, o resultado com crianças é sempre melhor.”
Pelos depoimentos acima, temos confirmada nossa hipótese da maior facilidade de adaptação e aceitação do portador de deficiência quando esta ocorre nos primeiros anos de vida. Entretanto , como veremos, esta não é uma posição definitiva, uma vez que os sentimentos subjetivos, a estrutura FAMILIAR e o processo de reabilitação interferem nas capacidades de aceitação e adaptação do individuo, a sua condição de vida, como veremos abaixo nos próximos depoimentos:
JOÃO CARLOS: “Comparar o que acontece em diferentes fases da vida é muito difícil. E nunca se chega a uma conclusão. O que é mais difícil suportar, não poder fazer mais o que já se fez, ou não poder fazer aquilo que você sonha quando vê alguém fazendo? Uma criança que já nasceu deficiente, nunca pode chutar uma bola, não pode correr e trepar em arvore. Eu por exemplo, com 26 anos de idade tinha crédito físico enorme com a vida. Já tinha feito de tudo, fisicamente tudo o que podia ter feito para parar naquela idade, porque faria e continuaria fazendo até hoje, ma sem crédito físico eu estava muito bem. Então foi para mim muito mais fácil ficar parado, a partir deste momento e voltar –me para o lado mais intelectual e mais sensorial”
SAMUEL: “Existe uma grande diferença entre aquele que nunca conseguiu andar normalmente e aquele que ficou paraplégico por acidente. No meu ponto de vista aquele que ficou deficiente desde o berço tem uma vontade de saber como seria bom correr, pular, etc. . Então para mim é muito mais difícil, muito mais agressivo até, ficar deficiente na infância. Isto porque no outro caso a pessoa teve uma vida normal. Não estou querendo minimizar, no caso do paraplégico por acidente. Ele tem uma chance de que quando começar a se descobrir com certeza irá dar um grande valor à vida, maior até que antes.”
A questão fica mais complicada ainda, quando se percebe que devido a falhas nos sistemas de reabilitação, de forma geral, pois o portador só toma conhecimento do seu verdadeiro estado muito tempo do caso instalado, como podemos ver abaixo:
IZAURA: “Eu fui uma criança deficiente, nasci com a deficiência, mas na realidade eu me descobri deficiente quando eu voltei a morar com os meus pais. Na AACD, apesar de só conviver com crianças deficientes, eu achava que era normal. Então voltei a morar com a família mais ou menos aos 14 anos de idade e foi aí que comecei a perceber a realidade diferente. E mais deficiente me senti quando aos 23/24 anos de idade fui obrigada a passar para uma cadeira de rodas. Foi então que comecei a ver as limitações do mundo. Eu me senti arrasada, foi como se tivesse ficado deficiente naquele momento.”
Analisando o depoimento da Isaura vemos a necessidade de uma MUDANÇA na forma de atuar do pessoal técnico que, trata de crianças com deficiência, pois ela se tivesse tomado, bem antes, a consciência de suas limitações com certeza não teria sofrido o que sofreu, na sua ADOLESCÊNCIA NEM NO INICIO DA FASE ADULTA.
O depoimento abaixo confirma ainda a necessidade desta mudança:
JOÃO BATISTA: “Julgo que tomei consciência da minha deficiência quando fiquei adolescente. Para, o portador de deficiência,é a adolescência,na minha opinião, o momento mais crucial. É o momento do namoro, de sair com os amigos, paquerar, de poder ter um pouco mais de liberdade. Foi então que percebi as minhas limitações . As meninas da nossa turma não quiseram saber de namorar comigo mas sim com meus amigos. Não queriam transar comigo. Isto tudo ficou muito significativo para mim.”
Estamos vendo então o quanto é importante, não a deficiência em si mesma, mas o momento da tomada de consciência, é como se diz “Quando a ficha caí”. Ora, até hoje eu não entendo e estamos em 2010, porque a equipe de reabilitação, que trabalha com portadores de deficiência ainda é uma equipe multidisciplinar (onde geralmente é médico que chefia) e não interdisciplinar (onde todos os participantes possuem pesos iguais em suas opiniões) e pior porque ainda fica-se “escondendo” da pessoa a sua real condição, estamos vendo isto na novela em exibição que tem a pretensão de representar a vida real. Porque tentar evitar o sofrimento no momento, em que ela se instala mesmo sabendo que ela poderá sofrer muito mais quando a ficha cair.
Dar a pessoa o verdadeiro diagnóstico, bem como o mais provável prognóstico, o mais rápido possível, além de ser um direito da pessoa ainda é melhor do ponto de vista da sua reabilitação e reintegração no seu meio.
Vejam o depoimento abaixo, pois confirma ainda mais a nossa tese muito embora tenha uma aparente contradição com o seu depoimento anterior:
JOÃO BATISTA: “Na minha, opinião, uma criança que já nasce com uma deficiência não tem a experiência de não ser deficiente. É uma experiência totalmente diferente de quem tem uma vida anterior, como no caso do Marcelo e do João Carlos, que sofreram acidentes na fase adulta. No momento mais pleno da vida e que acaba, com uma deficiência, é muito traumático. Eu não, os problemas que vivi eu os vivi desde a infância. Então eu posso afirmar que nunca senti nenhuma sensação traumatizante uma vez que nunca andei sem aparelho né? Posso dizer também que facilita a minha vida o fato de conhecer melhor o meu corpo que os outros. Para os que sofrem de uma deficiência mais tarde torna se mais difícil pois, este fato, o de precisar reaprender a viver em seu novo corpo.
É, uma nova vida mesmo e o João Carlos diz isso bem, em seu livro.” Bem como ajuda a família a se portar melhor no trato com o seu ente que sofreu uma perda. Tendo tomado a consciência, logo na instalação de uma deficiência, todos os envolvidos (o portador e sua família e amigos) irão formulando uma imagem real das limitações e as reais condições do seu desempenho o que é como vimos de extrema importância na sua reabilitação tanto física como psicológica. (continua)

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